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Por que a busca por uma resposta pode esgotar suas energias e a reação do cérebro à incerteza

Não se trata apenas de esperar uma mensagem no WhatsApp. O verdadeiro desafio está no intervalo entre o envio de uma mensagem e a resposta recebida. Esse espaço de tempo, que pode se estender por alguns segundos ou até horas, provoca uma inquietação, fazendo com que a mente comece a trabalhar contra a pessoa. Embora o celular não tenha criado esse fenômeno, ele amplificou a situação ao oferecer um estímulo de recompensa constante, disponível a qualquer hora.

A psicóloga Laura Marín ilustra a situação com dois perfis que fazem o mesmo exame médico e aguardam o resultado. Uma delas anota a data e segue com seus afazeres, enquanto a outra passa horas na internet, solicita reassurance aos familiares e verifica o resultado obsessivamente. Ambas recebem o resultado no mesmo tempo, mas só uma chega ao fim do dia se sentindo esgotada.

O que o cérebro faz com a incerteza

O sistema nervoso humano não é projetado para lidar com ameaças indefinidas. Quando a ameaça era um animal ou uma pessoa agressiva, havia um ciclo bem definido: a situação se apresentava, o corpo reagia e, em seguida, resolvia-se o problema. No caso da espera por uma mensagem, esse ciclo não existe. A situação permanece em aberto, e o cérebro interpreta essa incerteza como uma ameaça constante, liberando noradrenalina em função da perda de controle.

O problema aparece quando a pessoa encontra um atalho para lidar com essa sensação: checar o celular. Embora essa verificação possa trazer um alívio temporário, ela não resolve a ansiedade. Com o tempo, essa ação se torna um comportamento que exige cada vez mais para oferecer o mesmo alívio. A psicóloga Regina López Riego menciona que essa “busca de reassurance” pode levar ao Transtorno de Ansiedade Generalizada, onde a preocupação se transforma em um estado crônico.

A diferença entre usar o celular e depender dele

Em 2017, pesquisadores publicaram uma distinção pouco divulgada fora do meio acadêmico: existem dois tipos de uso do smartphone, que impactam a saúde mental de formas diferentes.

  • Uso social: mensagens, interação e contato têm uma relação fraca com a ansiedade.
  • Uso de processo: rolar feeds e consumir notícias sem uma meta clara é o principal preditor de dependência e sofrimento psicológico.

A diferença não é apenas o tempo de uso, mas a intenção. Se a pessoa abre o celular para fugir de pensamentos ruins ou preencher um silêncio desconfortável, está utilizando o aparelho como um escapismo e não como uma ferramenta efetiva. Essa válvula de escape, quanto mais acionada, menos eficaz se torna.

Um estudo recente associou o doomscrolling — a rolagem compulsiva de notícias ruins — a sentimentos de ansiedade existencial e uma visão pessimista da vida. Os efeitos físicos, conforme relatado em discussões, incluem dores de cabeça, tensão muscular, aumento da pressão arterial e insônia, mesmo quando os conteúdos não têm relação direta com a rotina do indivíduo.

O interessante é que muitos acreditam que, ao se informarem assim, estão se preparando para algo. No entanto, não há evidências de que consumir mais notícias negativas leve a melhores decisões. Pelo contrário, a sobrecarga de estímulos negativos pode dificultar a capacidade de raciocínio.

Quatro formas de reconstituir a tolerância ao desconhecido

Para lidar com essa situação, algumas abordagens, que possuem bom respaldo clínico, podem ser adotadas:

  • Reduza a verificação por protocolo: Estabelecer horários fixos para checar e-mails e mensagens por pelo menos duas semanas ajuda a aumentar a tolerância à espera, treinando a mente para lidar com esse intervalo.

  • Separe o que pode ser controlado do que não pode: Enquanto se espera por uma resposta, a pessoa deve focar no que pode fazer ativamente, interrompendo assim a ruminação.

  • Use o corpo para sair da cabeça: A respiração estruturada e a atenção a estímulos físicos podem ajudar o corpo a registrar que não há ameaças imediatas.

  • Nomeie a emoção antes de agir: Reconhecer internamente a ansiedade pode diminuir a necessidade automática de buscar o celular, quebrando o ciclo negativo antes que ele se intensifique.

Essas estratégias podem auxiliar na construção de uma relação mais saudável com a dúvida e a incerteza, proporcionando um espaço para lidar melhor com a ansiedade do cotidiano.

Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

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