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Empresas usam IA para clonar funcionários e trabalhadores respondem com sabotagem de dados

No dia 30 de março de 2026, um engenheiro de algoritmos lançou no GitHub um repositório chamado 同事.skill (“colega.skill”), provocando uma polêmica que rapidamente se espalhou pelos escritórios de tecnologia na China. A proposta do projeto é simples: um modelo de inteligência artificial é alimentado com o histórico de conversas, documentos do DingTalk, e-mails corporativos e capturas de tela do WeChat de um colega de trabalho, resultando em um agente virtual que imita não só o conhecimento técnico, mas também o estilo de comunicação e as estratégias pessoais da pessoa original para evitar responsabilidades.

O que está em jogo

A ferramenta, desenvolvida pelo usuário “titanwings” e atribuída ao Shanghai AI Lab, rapidamente viralizou ao tocar em um tema delicado que já se arrastava nas empresas chinesas. Muitas companhias começaram a exigir que os funcionários documentassem seus processos e decisões em “arquivos de habilidades” para alimentação de sistemas de IA. A situação ganhou notoriedade quando um funcionário pediu demissão em uma empresa de mídia de games em Shandong e foi imediatamente substituído por um agente de IA que utilizava todo o seu histórico de mensagens. O gestor descreveu esse procedimento como “otimização de processos”, enquanto os colegas o chamaram de “destilação de funcionário”.

A contraofensiva de Deng Xiaoxian

No dia 3 de abril de 2026, a desenvolvedora Deng Xiaoxian revelou a ferramenta 反蒸馏.skill (“anti-destilação.skill”) em um vídeo que capturou o sentimento de muitos: “Estamos todos aqui trabalhando feito gado. Ninguém quer ser apenas um arquivo de habilidades e perder o emprego. Por isso, inventei isso.” A nova ferramenta funciona ao processar o arquivo de habilidades exigido pela empresa, removendo informações táticas relevantes e gerando um documento que parece completo, mas que na verdade contém apenas superficialidades. O conhecimento realmente útil fica armazenado em um backup privado, acessível apenas ao trabalhador.

Essa nova solução oferece três tipos de limpeza: leve, médio e pesado, ajustáveis conforme o nível de monitoramento da empresa. “Se a intenção é apenas cumprir uma formalidade, escolha a limpeza pesada. Eles só vão querer saber se você entregou”, explicou Deng. Ambas as ferramentas, tanto a colega.skill quanto a anti-destilação.skill, rapidamente conquistaram milhares de seguidores no GitHub.

Gêmeos digitais, um mercado em expansão

Esse fenômeno nos escritórios chineses acontece em um contexto mais amplo, onde o mercado global de clones digitais de funcionários se expande. A startup americana Viven, criada em 2025 e financiada pela Khosla Ventures com US$ 35 milhões em investimento-semente, produz “gêmeos digitais” a partir de e-mails, mensagens no Slack e documentos do Google Drive, posicionando seu produto como uma ferramenta para retenção de conhecimento institucional. A IgniteTech, do Texas, apresentou na CES 2026 em Las Vegas a plataforma MyPersonas, que gera réplicas de funcionários usando vídeo, voz e textos. A grande diferença é que, enquanto essas ferramentas exigem o consentimento da pessoa a ser replicada, as soluções disponíveis no GitHub não fazem tal exigência.

O caso de uma funcionária de RH em Shandong, que pediu demissão e teve seu clone digital mantido em operação pela empresa, se tornou emblemático, levantando questões jurídicas ainda sem resposta. As mensagens trocadas em plataformas como Feishu e DingTalk pertencem ao funcionário ou à empresa? O uso do estilo de comunicação e dos métodos de decisão de alguém para treinar um sistema de IA sem consentimento configura violação de direitos de personalidade? A legislação chinesa de proteção de dados, a PIPL (Personal Information Protection Law), em vigor desde 2021, proíbe o uso de dados pessoais sem o consentimento explícito, mas até abril de 2026, nenhuma empresa havia sido responsabilizada por esse tipo de prática.

O que a “ex.skill” revela sobre os limites éticos

A mesma lógica de “destilação” de indivíduos foi adaptada para o campo das relações afetivas com o projeto ex.skill, que busca reconstruir um ex-parceiro romântico a partir de históricos de conversa, mensagens de voz e postagens em redes sociais. A questão central é que a pessoa clonada não autorizou o processo, e o clone resultante acaba congelando essa pessoa em um momento específico do passado, sem levar em conta mudanças futuras. O debate em torno do ex.skill destaca a problemática ética já evidenciada nos casos corporativos: as ferramentas de destilação da identidade digital estão surgindo antes que haja estruturas legais ou éticas que as regulem.

Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

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