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Análise de Constance para Nintendo Switch na eShop

Constance Review - Screenshot 1 of 6
Capturado no Nintendo Switch (Modo portátil)

A proposta de um Metroidvania indie que explora questões de saúde mental tem se tornado um tanto quanto clichê. Nos últimos dez anos, diversos sucessos do gênero, como Hollow Knight e os jogos da série Ori, junto com títulos como Celeste, têm incorporado a jornada mental de suas protagonistas em suas mecânicas. Constance se inspira bastante nessas obras, mas utiliza essas influências para transmitir uma mensagem profunda, mesmo sem reinventar a roda de maneira significativa.

Constance é um jogo sobre supercarga sensorial e concentração, acompanhando a protagonista em sua fuga da realidade opressiva em favor de um reino fantástico criado por sua própria mente, que revela tanto suas belezas quanto seus horrores. A cada momento, surgem vislumbres da verdadeira realidade de Constance, lembranças de sua luta para cumprir prazos no trabalho, ignorando os entes queridos e pressionada pela rotina diária.

Constance Review - Screenshot 2 of 6
Capturado no Nintendo Switch (Modo portátil)

No entanto, Constance leva um tempo até que suas verdadeiras questões sejam exploradas e o jogo consiga encontrar sua identidade. A primeira hora de jogo pode deixar o jogador apreensivo. Embora a arte em 2D, desenhada à mão, e as animações fluidas sejam encantadoras, muitos podem se recordar de outros títulos do gênero, especialmente Hollow Knight.

Não se pretende comparar trivialmente, mas alguns elementos, como alavancas e elevadores, são visualmente semelhantes aos do Team Cherry, e isso pode dificultar a desvinculação dessas comparações, especialmente ao realizar movimentos como investidas e pulos na parede.

Conforme o jogador avança, a singularidade de Constance se revela — o jogo exige concentração. Em muitos jogos de plataforma e Metroidvanias, superar uma seção difícil uma vez geralmente permite que o jogador retorne sem dificuldades. No entanto, a desenvolvedora Blue Backpack não concede essa comodidade. Se a batalha contra um inimigo, uma seção de plataforma ou um quebra-cabeça for encarada com desdém, haverá consequências.

Constance Review - Screenshot 3 of 6
Capturado no Nintendo Switch (Modo acoplado)

Essa filosofia de design complementa perfeitamente os temas do jogo. Os momentos iniciais colocam o jogador na pele da protagonista, observando sua tela de computador transbordar em e-mails e mensagens, levando-a a cair neste universo de fantasia. Se o jogo é uma fuga da realidade, faz sentido que seja um espaço onde a protagonista só precise se concentrar em uma única tarefa. A ideia de equilibrar trabalho, relacionamentos, alimentação, sono e diversão é avassaladora para muitos, mas este é um jogo que exige foco. Sem distrações, Constance pede total atenção.

A jogabilidade geral não apresenta inovações em relação ao que os fãs de Metroidvania estão acostumados, mas as ideias familiares são executadas de maneira tão competente que é difícil não se divertir. A arma principal de Constance é um pincel, que remete à sua profissão como artista, além de proporcionar as animações mais satisfatórias do jogo.

A investida no chão faz com que o jogador mergulhe em uma poça de tinta roxa, criando um efeito semelhante ao de Splatoon, e o mesmo acontece ao fundir-se em paredes para executar pulos na parede. Além da barra de saúde, no canto superior esquerdo da tela, há um medidor de tinta, que indica quantas habilidades especiais podem ser utilizadas antes que a cor se esgotem tanto do cabelo quanto do pincel da protagonista.

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Capturado no Nintendo Switch (Modo portátil)

Nessa condição, cada uso de uma habilidade relacionada à tinta resulta em perda de HP. Essa limitação se mostra bastante interessante durante os intensos combates contra chefes. Alguns inimigos exigem o Paint Stab para serem derrotados, mas esse movimento também restaura saúde quando utilizado, exigindo uma abordagem mais tática sobre quando desviar dos ataques e quando atacar.

Os chefes variam de repetitivos a gloriosos. Alguns, como o High Patia da área Astral Academy, não exploram de formas interessantes o poder do Aerial Boost, mas são visualmente deslumbrantes. Por outro lado, Cornelis exige o uso habilidoso da Plunge, um ataque vertical, de maneiras criativas. Em geral, os chefes podem parecer repetitivos e carecer de mais complexidade, e seria interessante vê-los com mais fases, oferecendo desafios variados.

Constance Review - Screenshot 5 of 6
Capturado no Nintendo Switch (Modo portátil)

Um aspecto essencial de qualquer Metroidvania, e um dos principais pontos fortes de Constance, é sua atmosfera. O jogo combina a clássica sensação de isolamento com a ideia de que o mundo é habitado o suficiente para parecer vivo. Cada área é verdadeiramente distinta, destacando-se a Chaotic Carnival, com seus fundos laranja vibrante e trilha sonora inspirada em circo, proporcionando uma experiência memorável. A estrutura dessa área, sendo um longo desafio contra chefes, acrescenta à sua singularidade.

O design de elementos-chave, como os Santuários, onde é possível salvar e recuperar saúde, também faz Constance se destacar. Ao salvar, a personagem medita e levita, alinhando-se bem com a proposta de que esse universo é uma fuga. O ambiente é povoado por máquinas, tanto amigas quanto inimigas, representando de forma sutil a tecnologia como um fator fundamental em nossa superexposição, mas também como uma ferramenta indispensável.

Os únicos momentos de alívio da intensidade do gameplay ocorrem nas telas de morte, onde se lê a frase “perdido em pensamentos”, e em flashbacks da vida real de Constance. Muitos desses flashbacks são apresentados como minijogos de baixo impacto, envolvendo atividades como a criação de um logotipo ou um jogo de ritmo com violino. Esses momentos são uma ótima forma de manter os temas do jogo sem que a experiência se torne excessivamente punitiva.

Constance Review - Screenshot 6 of 6
Capturado no Nintendo Switch (Modo acoplado)

A jogabilidade em Constance foi testada no Switch 2, e a experiência foi fluida tanto em modo portátil quanto acoplado. A tela do Switch 2 combina perfeitamente com a paleta de cores vibrantes do jogo. Há também modos de Performance e Qualidade para os usuários do Switch 2, mas, embora existam, o modo Balance já proporciona uma visão e desempenho excelentes.

Como o jogo é tecnicamente uma produção do Switch 1, ele também foi testado nesse sistema, apresentando desempenho igualmente satisfatório, ainda que a qualidade da tela possa ser um pouco inferior.

Conclusão

Constance é um exemplo de um dos maiores desafios no mundo dos games: pegar ideias estabelecidas há quatro décadas e usá-las para transmitir algo diferente e interessante. O jogo tem uma mensagem a oferecer e consegue comunicá-la de maneira eficaz. Embora existam falhas na jogabilidade, como alguns chefes repetitivos e certas seções de plataforma cansativas, isso não impede que Constance seja uma experiência valiosa. É um lembrete necessário sobre os prazeres da concentração em um mundo saturado de estímulos.

É uma recomendação fácil para os fãs de Metroidvania que buscam algo familiar para aproveitar por cerca de 10 horas. Os mais hesitantes com o gênero podem não ficar tão encantados, mas Constance é, sem dúvida, uma experiência válida apenas por suas visuais e suas ideias.

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Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

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