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NVIDIA Abala Mercado com Declaração do CEO Sobre Resfriamento de Data Centers

Resumo rápido!

Durante a CES 2026, Jensen Huang anunciou que os racks Vera Rubin NVL72 utilizam refrigeração líquida a 45°C, eliminando a necessidade de chillers tradicionais em data centers de IA. A resposta do mercado foi imediata: as ações da Johnson Controls caíram 11%, da Modine Manufacturing 21%, da Trane Technologies 8% e da Carrier Global 5% em uma única sessão.


Na keynote da CES 2026, realizada em Las Vegas, o CEO da NVIDIA, Jensen Huang, apresentou a plataforma Rubin de próxima geração. Durante sua apresentação, além de trazer especificações técnicas impressionantes, fez uma declaração que gerou reações intensas no setor: “Nenhum chiller de água é necessário para data centers… basicamente estamos resfriando esse supercomputador com água quente” ao explicar o sistema de refrigeração líquida direta (DLC) dos racks Vera Rubin NVL72.

O que são chillers e por que eles dominam data centers?

Um chiller é um equipamento industrial que resfria água através da compressão de vapor — semelhante ao funcionamento de um ar-condicionado convencional, mas em uma escala muito maior. Nos data centers tradicionais, esses chillers mantêm a água resfriada entre 7°C e 15°C, para alimentar unidades de ar-condicionado de precisão (CRAH), que distribuem ar frio entre os racks de servidores.

O processo funciona da seguinte forma: a água gelada absorve o calor do ar quente gerado pelos servidores e retorna ao chiller em temperaturas entre 12°C e 20°C. O chiller, utilizando um compressor elétrico, que consome a maior parte da energia, remove esse calor e o dissipa para o ambiente através de enormes ventiladores ou torres de resfriamento. Esse ciclo de resfriamento pode representar até 40% do consumo total de energia em um data center convencional.

Os chillers industriais custam, em média, entre US$ 500 mil e milhões de dólares, dependendo da sua capacidade. Grandes instalações, como as da Microsoft e Google, costumam ter múltiplos chillers para garantir redundância, elevando os custos de resfriamento para dezenas de milhões de dólares.

A revolução da água quente a 45°C

A tecnologia da NVIDIA inverte essa lógica: ao invés de refrigerar o ar ambiente com água gelada, o sistema Vera Rubin NVL72 utiliza água a 45°C, que é bombeada diretamente em contato com os componentes, absorvendo calor na fonte. As GPUs e CPUs da arquitetura Rubin são projetadas para operar em temperaturas de junction (núcleo do chip) entre 85-95°C. Quando a água a 45°C entra em contato com a cold plate (placa fria) do chip, ocorre um intenso fluxo de calor do componente para o líquido, devido ao diferencial térmico de 40-50°C.

A água entra no rack a 45°C, percorre as cold plates de 72 GPUs e 36 CPUs, capturando calor, e sai em temperaturas entre 50-60°C. Essa diferença térmica, de apenas 5-15°C no líquido, é capaz de remover centenas de kilowatts de calor. A água aquecida é então direcionada para dry coolers — radiadores externos que dissipam o calor para o ambiente usando apenas ventiladores, sem a necessidade de compressores. Em climas onde a temperatura ambiente está abaixo de 40°C, os dry coolers funcionam com free cooling, ou resfriamento grátis, utilizando convecção natural, que consome energia apenas para os ventiladores.

A NVIDIA também aumentou as taxas de fluxo de líquido no Vera Rubin comparado ao Blackwell, mantendo a mesma pressão da Coolant Distribution Unit (CDU). Isso significa que uma maior quantidade de água circula por minuto, possibilitando uma remoção mais eficaz do calor e evitando o acúmulo térmico sob cargas extremas, além de eliminar o thermal throttling — quando os chips reduzem a frequência de operação para evitar superaquecimento.

Terremoto no mercado

A reação dos investidores foi imediata e intensa. No dia 6 de janeiro, a Modine Manufacturing viu suas ações caírem 21%, marcando seu pior desempenho desde 2020, enquanto a Johnson Controls teve uma queda de 11%, a mais significativa desde julho de 2022. A Trane Technologies também enfrentou uma queda de 11%, enquanto a Carrier Global registrou uma perda de 5% e a Vertiv Holdings caiu 6,8% antes de recuperar parte das perdas.

Analistas financeiros interpretaram os comentários de Huang como sinal de uma futura queda na demanda por grandes plantas de chillers em data centers de IA. Embora alguns analistas considerem a queda das ações exagerada, reconhecem a importância das observações feitas pela NVIDIA, devido à sua posição central na indústria de IA.

Vera Rubin NVL72: arquitetura de rack como supercomputador

A plataforma Rubin não se trata apenas de um avanço incremental, mas representa a terceira geração da arquitetura rack-scale da NVIDIA, onde o rack atua como uma máquina coerente, e não apenas como uma coleção de servidores independentes.

Especificações do Vera Rubin NVL72:

  • 72 GPUs Rubin: 50 PFLOPS de performance de inferência NVFP4 por GPU (5 vezes mais que Blackwell GB200) e 35 PFLOPS de treinamento NVFP4 por GPU (3,5 vezes mais que Blackwell).

  • 36 CPUs Vera: 88 núcleos customizados Olympus (Arm v9.2), até 1,5 TB de memória LPDDR5X com 1,2 TB/s de largura de banda por CPU.

  • 288 GB HBM4 por GPU: 22 TB/s de largura de banda de memória por GPU (quase 3 vezes mais que Blackwell).

  • NVLink 6: 3,6 TB/s de largura de banda bidirecional GPU-para-GPU (2 vezes a geração anterior), 260 TB/s de largura de banda total no rack.

  • ConnectX-9 SuperNICs e BlueField-4 DPUs: 1,6 Tb/s de banda de rede por GPU, 800 Gb/s de conectividade Ethernet ou InfiniBand por DPU.

  • Performance total do rack: 3,6 exaFLOPS de inferência NVFP4, 2,5 exaFLOPS de treinamento NVFP4, 54 TB de memória LPDDR5X, 20,7 TB de HBM4 com 1,6 PB/s de largura de banda.

O sistema possui um design modular de bandejas sem cabos, que possibilita montagem e manutenção até 18 vezes mais rápidas em comparação ao Blackwell, além de uma resiliência aprimorada do NVLink, permitindo manutenção sem interrupções.

Segundo informações, todos os seis chips necessários para a construção dos sistemas Vera Rubin NVL72 já retornaram das fabricas, e sua produção em volume é esperada para o segundo semestre de 2026.

Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

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