web counter Startup fatura US$ 400 milhões com venda de remédios para emagrecer, mas médicos são gerados por IA - Super Select
Home » Startup fatura US$ 400 milhões com venda de remédios para emagrecer, mas médicos são gerados por IA
Tecnologia, Hardware e PC

Startup fatura US$ 400 milhões com venda de remédios para emagrecer, mas médicos são gerados por IA

No dia 2 de abril de 2026, um perfil destacou Matthew Gallagher, um empreendedor de 41 anos de Los Angeles que, com apenas US$ 20 mil e ferramentas de inteligência artificial, lançou a MEDVi, uma startup de telemedicina que oferece medicamentos GLP-1 para emagrecimento. Em 2025, a empresa já havia faturado impressionantes US$ 401 milhões e espera alcançar US$ 1,8 bilhão em 2026, operando com apenas duas pessoas na equipe. Essa história se tornou um exemplo do potencial da IA nos negócios, embora existam aspectos preocupantes que não foram mencionados.

### 800 médicos que não existem

Para conquistar clientes no Facebook, Gallagher criou mais de 800 páginas que simulavam perfis de médicos fictícios, como Dr. Daniel Foster e Dr. Jacob L. Chandler. Esses profissionais não existem; suas imagens foram geradas por IA. Os perfis visavam mulheres entre 35 e 55 anos que buscavam perder peso. O site da MEDVi também utilizava fotos de modelos criadas por IA, e alguns anúncios eram gerados automaticamente, sem que isso levantasse questionamentos sobre a operação no Facebook.

Além disso, a empresa usou logotipos de veículos como Bloomberg e The Times em seu site como se tivesse recebido cobertura da mídia, quando na verdade tinha apenas comprado espaço publicitário.

### A carta da FDA que não foi mencionada

Em 20 de fevereiro de 2026, a Food and Drug Administration (FDA) enviou uma carta à MEDVi, destacando dois problemas graves: o site estava utilizando a marca “MEDVi” de forma que sugeria ser a fabricante dos medicamentos, quando na realidade era apenas uma intermediária, e frases como “mesmo princípio ativo que Wegovy® e Ozempic®” poderiam induzir os consumidores a crer que os produtos foram avaliados regulatoriamente, o que não aconteceu. O descumprimento das exigências mencionadas na carta pode resultar na apreensão de produtos e em ações judiciais.

Quando questionado sobre a carta, Gallagher alegou que o domínio mencionado era operado por um afiliado sem autorização, mas a carta estava formalmente direcionada à MEDVi, LLC.

### Um remédio que provavelmente não funciona

A MEDVi comercializava uma tirzepatida oral composta, que não possui aprovação da FDA. Apesar disso, era promovida como um medicamento GLP-1 seguro e eficaz para perda de peso. O único GLP-1 oral aprovado exige um potencializador de absorção específico e tem critérios rigorosos de administração, que não eram respeitados pelo produto da MEDVi. A farmacêutica Eli Lilly havia alertado anteriormente sobre esse tipo de produto e já havia tomado medidas legais para interromper sua comercialização, resultando em uma ação coletiva movida por consumidores que alegam ter adquirido um placebo.

### 1,6 milhão de registros médicos nas mãos de um invasor

Toda a infraestrutura clínica da MEDVi é terceirizada para a OpenLoop Health. Em janeiro de 2026, um agente malicioso acessou os sistemas da OpenLoop e extraiu dados de cerca de 1,6 milhão de pacientes, incluindo informações sensíveis. A OpenLoop comunicou a violação ao Procurador-Geral do Texas, e ações coletivas foram movidas desde então, mas esse incidente não foi mencionado no perfil publicado.

### Spam como estratégia de aquisição

Uma ação judicial, James v. Medvi LLC, foi ajuizada na Califórnia, acusando a empresa de se beneficiar de uma rede de spam que utilizava informações falsas para driblar filtros. Embora Gallagher tenha declarado que investiu US$ 20 mil em marketing inicial, não está claro quanto desse crescimento se deveu a essas práticas questionáveis.

Embora a MEDVi tenha registrado um faturamento significativo, permanece a dúvida sobre quanto desse valor foi gerado a partir de vendas de medicamentos sem comprovação de eficácia, promovidos por médicos fictícios, em uma infraestrutura que já sofreu vazamentos de dados. A empresa ainda possui certificação da LegitScript, um mecanismo exigido por grandes plataformas, indicando que a situação é complexa e não é apenas uma história de fraude. No entanto, o artigo do New York Times apresentou o caso como um exemplo de sucesso empresarial, apesar da investigação da FDA e das ações coletivas que a cercam.

Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

Adicionar comentário

Clique aqui para postar um comentário