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Grupo que vende “fazendas de celulares” no Telegram para manipular engajamento nas redes sociais é desvendado

Uma “fábrica de cliques” é uma operação onde grandes grupos de trabalhadores mal remunerados ou bots automatizados são contratados para clicar repetidamente em links, anúncios ou conteúdo nas redes sociais. O objetivo principal é inflar artificialmente as métricas de engajamento e manipular sistemas digitais para lucro.

Esse cenário foi observado em diversas contas no Facebook, Instagram e até em um grupo no Telegram, onde era oferecido um sistema para conectar vários smartphones a um computador central e executar tarefas em larga escala. Quando usadas para fins legítimos, essas estruturas podem servir para teste de aplicativos e verificação de anúncios. Contudo, a realidade é que esse mercado está mais voltado para forjar números, influenciar a opinião pública e criar a ilusão de sucesso.

Como é apresentado em um vídeo que a equipe da Super Select analisou, a imagem mais comum de uma fazenda de celulares envolve grandes instalações com múltiplos dispositivos operando continuamente para gerar métricas falsas.

Hoje em dia, existem arranjos mais modernos, compactos e igualmente eficazes em criar números artificiais. Um grupo no Telegram de uma empresa chinesa que oferece esses equipamentos foi investigado, e diversos detalhes sobre o funcionamento dessas estruturas serão apresentados a seguir.

O que é uma fazenda de celulares?

Na prática, uma fazenda de celulares reúne aparelhos, normalmente Android, conectados a um computador ou mini servidor, permitindo a execução centralizada de tarefas repetitivas. Esses sistemas, em cenários legítimos, ajudam no teste de aplicativos em dispositivos reais, validação de interfaces e execução de rotinas automatizadas para empresas. O funcionamento é baseado em comunicação através de ADB e controle visual com ferramentas como scrcpy, possibilitando o gerenciamento simultâneo de vários aparelhos a partir de uma única máquina.

O contexto é relevante porque justifica a circulação do produto com a aparência de uma ferramenta neutra. No entanto, o material encontrado na negociação revela que a estrutura é vendida como meio para cadastro de contas, promoção de marcas, publicação em múltiplos canais, reprodução de mídia e aumento de engajamento em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Telegram, Shopee, AliExpress, eBay e Amazon.

Um relato de um jovem de 18 anos que opera em uma dessas fazendas, que possui mais de 1.000 smartphones, revela o potencial dessa estrutura: “Podemos aumentar qualquer número nas redes sociais”. Embora a fazenda em questão recuse ofertas de natureza política, a manipulação da opinião pública é facilmente possível.

Como essas estruturas funcionam?

No grupo do Telegram acessado, cada box é caracterizada como um arranjo que acomoda 20 placas-mãe de smartphones em um único gabinete. Entre os modelos mencionados estão Galaxy J6, J7 e S7 a S20. Para reduzir custos e espaço, muitos usuários removem a tela e a bateria dos aparelhos. Mensagens no grupo informam que o número de dispositivos pode ser ampliado com mais caixas.

As características incluem garantia de seis meses, ROM modificada, inicialização automática e reconhecimento por ADB sem configuração. O slot de chip é desativado por padrão, restringindo o uso a Wi-Fi, e a ativação de SIM card implica em custo adicional. A estrutura ainda conta com ventoinhas para resfriamento e uma fonte de energia que suporta até 20 dispositivos simultaneamente.

Para que o grupo alega que isso serve?

Uma descrição sugere que a fazenda de celulares atua na gestão de comércio eletrônico transfronteiriço. A proposta é que esses sistemas possam facilitar o registro de contas, a promoção de marcas e a execução de anúncios em várias plataformas simultaneamente. Além disso, o sistema simula padrões de uso de smartphones em diferentes países, permitindo que empresas compreendam a demanda local e os hábitos de consumo.

Embora o discurso se foque na produtividade, por trás disso está a ideia de ampliar resultados com uma abordagem menos rastreável. Observações feitas por compradores desses sistemas indicam que uma caixa com 20 aparelhos pode gerar entre US$ 250 e US$ 300 por mês, com retorno do investimento em cerca de três meses. O grupo aceita pagamentos em criptomoedas e filtra os interessados, atendendo apenas “clientes sérios”, sem enviar demonstrações gratuitas.

O Instagram como vitrine para promoção

Contas no Instagram também promovem esse tipo de hardware para inflar números e gerenciar várias contas. Algumas se apresentam como “mobile farm factory”, prometendo ajudar negócios a ampliar sua presença online. Frases como “20 devices = 20 unique IPs” tentam transmitir a ideia de uma operação distribuída. Perguntas sobre preços ou detalhes são frequentemente direcionadas para mensageria privada.

Durante a investigação, um MC brasileiro indagou sobre envio para o Brasil, recebendo confirmação. Embora isso não prove uso indevido, demonstra como a operação atende a diferentes países. Vendas desse equipamento já foram observadas para locais como Estados Unidos, Taiwan e Espanha.

Operações policiais contra esse mercado

Sim, uma operação significativa ocorreu em outubro de 2025, em colaboração com a Europol e autoridades de vários países, desmantelando uma rede de crime cibernético baseada em SIM boxes, usados para fraudes. Sete pessoas foram presas e aproximadamente 1.200 dispositivos SIM box foram apreendidos.

No Brasil, a Justiça também condenou o gestor de uma plataforma de venda de plays falsos em serviços de streaming, evidenciando o alcance desse mercado em território nacional.

O que a Meta diz sobre isso?

A Meta já declarou publicamente que a venda de curtidas, seguidores e visualizações falsas viola os termos do Facebook e do Instagram. Em ações legais no Brasil, a empresa notificou inúmeras empresas do setor, evidenciando que esse mercado conflita com as diretrizes das plataformas.

A estrutura proposta por essas fábricas não substitui o usuário real, mas atua como um impulsionador para que postagens ganhem visibilidade. Isso resulta em um ciclo onde a audiência de verdade valida o conteúdo, contribuindo para sua relevância.

No cenário atual das redes sociais, números artificiais se tornaram atalhos para credibilidade. Curtidas e visualizações compradas podem criar uma ilusão de autoridade, seja para a venda de produtos, promoção de músicas ou até para gerar consenso em determinados discursos. O impacto numérico muitas vezes precede a construção de uma reputação genuína.

Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

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