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Steve Jobs e a conquista de 7% da Disney após desentendimento com o CEO

Resumo rápido!

Em 1986, Steve Jobs investiu US$ 10 milhões em uma divisão falida da Lucasfilm e, durante anos, quase quebrou a empresa. Duas décadas depois, após uma intensa rivalidade com Michael Eisner, vendeu a empresa por US$ 7,4 bilhões, tornando-se o maior acionista individual da Disney, controlando 7% do gigante do entretenimento que antes prometeu nunca mais voltar enquanto seu adversário estivesse no comando.


A alta aposta de US$ 50 milhões

Em fevereiro de 1986, após ser afastado da Apple devido a desentendimentos com o conselho, Jobs decidiu investir US$ 10 milhões na divisão de computação gráfica da Lucasfilm. George Lucas, à beira da falência devido ao fracasso de “Howard, o Pato”, aceitou a proposta de Jobs, que ofereceu metade do montante inicialmente solicitado. O que se seguiu foi um verdadeiro pesadelo financeiro. Entre 1986 e 1995, Jobs injetou US$ 50 milhões de seu próprio bolso para manter a Pixar ativa, enquanto a empresa lutava com altos custos e vendas baixas, produzindo curtas-metragens apenas para demonstrar sua tecnologia. Ele considerou vender a operação várias vezes, mas ninguém demonstrava interesse em adquirir uma empresa que parecia ser apenas um “buraco negro” para investimentos.

O rompimento: “enquanto Eisner estiver lá, nunca mais nego”

Em 1991, Disney e Pixar assinaram um acordo que atualmente parece uma piada. A Disney ficou com 100% dos direitos dos personagens, 100% do licenciamento e a maior parte dos lucros, tratando a Pixar como prestadora de serviços. Após o sucesso de “Toy Story” em 1995, Jobs exigiu uma renegociação e ameaçou se retirar se não recebesse 50% dos lucros.

O colapso verdadeiro aconteceu com “Toy Story 2”. A Disney usou uma brecha contratual para classificar o filme como um “spin-off para vídeo”, forçando a Pixar a entregar um blockbuster sem compensação financeira. Após essa humilhação, Jobs ficou irritado ao saber que Eisner planejava repetir a estratégia com “Toy Story 3”.

O golpe final ocorreu em fevereiro de 2002, quando Eisner fez declarações no Congresso dos Estados Unidos sobre pirataria digital e atacou publicamente o slogan da Apple “Rip, Mix, Burn”, acusando Jobs de promover o roubo de propriedade intelectual, o que foi considerado uma ofensa pessoal por Jobs.

Em janeiro de 2004, após meses de negociações frustradas, Jobs anunciou: “Terminamos. Estamos seguindo em frente.” Em abril, foi mais longe ao declarar: “É ele ou eu. Só volto a negociar com a Disney se Eisner sair”.

Bob Iger entra em cena

Em setembro de 2005, Bob Iger assumiu como CEO da Disney após a saída de Eisner. Seu primeiro ato foi ligar para Jobs. Iger esperava um discurso furioso, mas Jobs surpreendeu com: “Não é uma ideia tão maluca”.

Em cinco dias, os dois fecharam um acordo para disponibilizar programas da ABC no iTunes para o novo iPod com vídeo, estabelecendo um clima de confiança. Iger percebeu, durante uma visita ao parque Disneyland em Hong Kong, que todos os personagens icônicos gerados nos últimos anos eram da Pixar, enquanto o Mickey estava perdendo relevância e a divisão de animação da Disney enfrentava sérios problemas.

O segredo que quase arruinou a fusão de US$ 7,4 bilhões

Em 24 de janeiro de 2006, Disney e Pixar anunciaram a fusão avaliada em US$ 7,4 bilhões. No entanto, 30 minutos antes do anúncio, Jobs revelou a Iger que seu câncer havia retornado e tinha apenas 50% de chance de sobreviver por mais cinco anos.

Jobs ofereceu a Iger a oportunidade de desistir do negócio a qualquer momento. A decisão seria difícil, já que cancelar uma aquisição de US$ 7,4 bilhões minutos antes do anúncio poderia resultar em litígios bilionários por ocultação de informações relevantes.

Iger optou por seguir em frente e manteve o segredo por três anos, justificando que, apesar de Jobs ser o maior acionista, não era essencial para o negócio, que estava comprando a Pixar e não a saúde de seu fundador.

O fechamento oficial em 5 de maio de 2006 transformou Jobs no maior acionista individual da Disney. Ele trocou sua participação de 49,65% na Pixar por 7% da Disney, equivalente a 138 milhões de ações avaliadas em US$ 3,9 bilhões. Michael Eisner, que tratou Jobs como um simples contratado durante muitos anos, possuía apenas 1,7%, enquanto Roy Disney, sobrinho do fundador, detinha 1%.

A proteção obsessiva: 75 regras ou nada

Como parte do acordo, Ed Catmull e John Lasseter assumiram o comando da divisão de animação da Disney, que enfrentava grandes dificuldades. No entanto, Lasseter impôs uma condição: a Disney não poderia destruir a essência criativa da Pixar.

Ele elaborou uma lista com 75 itens culturais inegociáveis, que a Disney teve que assinar, incluindo um bar de cereais gratuito e a liberdade para os animadores decorarem seus escritórios como desejassem. Iger aceitou todas as condições.

Jobs no conselho: O “acionista silencioso” que nunca se calou

Jobs assumiu um assento no conselho da Disney e se mostrou tudo menos discreto. Ele reformulou a estratégia das lojas Disney, desencorajou a empresa de licenciar sua marca para operadoras de cruzeiro e até sugeriu a compra da ilha de Lanai para criar um parque temático exclusivo.

Iger e Jobs se tornaram amigos próximos, conversando várias vezes por semana. Em 2010, durante um brinde no Havaí, Jobs refletiu: “Nós dois fizemos algo incrível, não fizemos? Salvamos a Disney e a Pixar”.

Pouco após sua morte em outubro de 2011, o pacote de 138 milhões de ações foi transferido para um trust administrado por Laurene Powell Jobs, sua viúva. Na época, esse patrimônio estava avaliado em US$ 4,6 bilhões e hoje vale algo em torno de US$ 23 bilhões.

A última ironia: foi a Pixar, não a Apple, que fez Jobs um bilionário

Uma semana após a estreia de “Toy Story”, que arrecadou US$ 401 milhões em todo o mundo, a Pixar abriu seu capital em 29 de novembro de 1995. As ações foram precificadas em US$ 22, iniciando seu valor em US$ 47 e fechando o dia em US$ 39, uma valorização de 175%. Jobs, que possuía 80% da empresa na hora do IPO, se tornou bilionário.

Uma das primeiras chamadas que ele fez foi para Larry Ellison, cofundador da Oracle e já membro do seleto grupo dos bilionários: “Alô, Larry? Eu consegui”, foi tudo o que Jobs disse.

Em uma rara entrevista gravada um ano após a estreia de “Toy Story”, Jobs expressou sua visão de gestão na Pixar:

“Acontece uma coisa estranha, que é a hierarquia de poder se inverter. E o CEO, na verdade, fica na base da pirâmide”. Ele destacou que sua função era trabalhar para os talentos criativos, pois esses talentos eram tão raros que poderiam facilmente encontrar novos empregos se não fossem bem tratados.

Observando seu filho pequeno assistir “Branca de Neve” repetidamente, Jobs finalmente compreendeu o verdadeiro propósito da Pixar: “Ter a oportunidade de contar essas histórias para a cultura dessa forma, se conseguirmos trabalhar duro e ter sorte repetidas vezes, é uma chance rara”.

Após quase quebrar para manter a Pixar por uma década, alcançando um déficit de US$ 50 milhões, e travar uma batalha pública com o CEO da maior empresa de entretenimento do mundo, Jobs se tornou o maior acionista dessa mesma companhia.

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Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

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