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A história do irritante “celular guitarrinha” que foi febre no Brasil

A História do Celular Guitarrinha: O Fenômeno do Q5 no Brasil

Em 2011, o cenário de smartphones ainda era dominado por modelos como o Nokia N8 e o BlackBerry Curve 9300, que eram os sonhos de consumo de muitos brasileiros. Contudo, em um momento em que o salário mínimo era apenas R$ 545, surgiu um aparelho que conquistou corações de maneira inesperada: o Q5, conhecido como “celular guitarrinha”. Vendido por preços que variavam de R$ 50 a R$ 100 em camelôs e feirinhas, esse celular compacto tocava música em um volume altíssimo, tornando-se um dos maiores fenômenos de consumo popular recente no Brasil. O Q5 era, na verdade, um clone do Nokia E5, que era vendido oficialmente por R$ 799 na época.

Um fabricante de Guangzhou, na China, pegou o design do Nokia E5, substituiu componentes por chips baratos e adicionou alto-falantes que prometiam um “som 3D”, além de incluir uma antena de TV analógica. Essa combinação criativa e acessível fez o aparelho se destacar.

Como o Paraguai Entrou na História

O caminho do Q5 até os consumidores brasileiros passava por Ciudad del Este, onde importadores cruzavam a Ponte da Amizade em busca das melhores ofertas. Compravam os aparelhos a preço de atacado e revendiam nas feiras livres, sem nota fiscal ou garantia. O Q5 oferecia uma tela de 2,4 polegadas e um leque impressionante de funções para 2011, incluindo suporte a múltiplos chips, TV analógica, rádio FM com gravação, câmera com flash, Bluetooth e muito mais. A variedade de chips, de 2 a 4, dependia do lote, um reflexo do modelo de produção shanzhai, onde a personalização era comum.

A Cultura Shanzhai por Trás do Ícone

O Q5 é um exemplo do que o sistema shanzhai representa: fábricas que abertamente compartilham projetos e moldes para criar versões acessíveis de produtos populares. Em 2010, o modelo já respondia por cerca de 20% do mercado mundial de celulares. Qualquer fabricante podia personalizar o design do Q5 e colocá-lo à venda, o que de fato aconteceu no Brasil, com marcas como Eyo, PowerPack e Foston. A guitarra na tampa era um símbolo reconhecível e constante em todas as versões.

Por Que Todo Mundo Odiava e Ao Mesmo Tempo Queria?

Apesar de sua popularidade, o Q5 tinha sérios problemas. A câmera anunciava resoluções fantásticas, mas não entregava o que prometia. A TV funcionava mal em ambientes fechados, e o sistema operacional travava frequentemente. O som alto, que decepcionava muitos, acabou se tornando parte de sua fama. Esse apanhado de falhas e excessos fez do Q5 o primeiro celular de muitos brasileiros, sendo visto com frequência nas escolas, ônibus e festas de bairro. Embora de qualidade duvidosa, possuir um Q5 conferia um certo status.

O Fim da Festa

O Q5 não foi derrubado pela fiscalização, mas pela evolução do mercado. O crescente número de smartphones Android, juntamente com as novas regulamentações chinesas, acabou por dissolver a demanda. Algumas fábricas sobreviventes se adaptaram e migraram para mercados africanos, onde ainda havia procura por dispositivos baratos. A Eyo, marca emblemática do Q5 no Brasil, mudou completamente de foco e hoje se dedica a produtos de entretenimento interativo.

Embora menos populares, é possível encontrar o celular guitarrinha à venda em plataformas como Shopee e OLX. O legado do Q5, mesmo que controverso, faz parte da história da tecnologia no Brasil.

E você, lembra do celular guitarrinha? Já teve um desses? Compartilhe sua experiência!

Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

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