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Tecnologia, Hardware e PC

Resultados jogáveis ao testar jogos de PC com FEX em um tablet Android de alto desempenho, mas a tecnologia ainda não está pronta para o grande público.

Nos últimos tempos, o mundo dos jogos de PC têm enfrentado desafios devido aos altos preços de componentes. Com isso, muitos jogadores estão começando a explorar outras plataformas e sistemas operacionais para suas experiências de jogo. O Steam Deck, da Valve, tem sido um grande responsável pelo crescimento do interesse em dispositivos portáteis, inspirando uma nova geração de consoles x86. Enquanto a Sony parece estar desenvolvendo seu próprio portátil, a Valve continua a trabalhar em um ecossistema de hardware, mesmo com as dificuldades causadas pela crise nos preços de DRAM e NAND.

A nova aposta da Valve, o Steam Frame, utilizará um chip ARM Snapdragon 8 Gen 3, uma clara mudança em relação aos chips x86 do Steam Deck, que já tem quatro anos. Além desse novo headset VR, a empresa está contribuindo para uma camada de tradução chamada FEX.

O que é o FEX?

O FEX ou FEX-Emu é uma ferramenta que traduz instruções brutas x86 em instruções ARM64, enquanto o Proton cuida da tradução de software e do sistema operacional do Windows para um formato compreensível pelo Linux. Quando FEX e Proton trabalham juntos, é possível que chips ARM executem muitos dos jogos que estão na sua biblioteca do Steam.

A Valve tem apoiado o desenvolvimento do FEX pelo open source, e nos últimos tempos, começou a adaptá-lo para dispositivos Android. Um exemplo disso é o GameNative, uma aplicação open source que permite acessar a biblioteca do Steam e utilizar o FEX (e Proton) para rodar jogos. Existem outras alternativas, como o Gamehub da GameSir, que teve problemas com a coleta de dados sensíveis, sendo importante pesquisar bem antes de optar por qualquer uma dessas opções.

Com todas essas informações, o desafio agora é ver como o hardware atual do Android se comporta e quão promissor está o FEX.

Configuração

É importante destacar que muitos dispositivos Android podem não ser capazes de rodar jogos AAA baseados em x86. Recentemente, encontrou-se um tablet Android RedMagic Astra Gaming usado, equipado com o processador Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 4 e 24 GB de RAM LPDDR5T, além de ter um sistema de refrigeração ativa, uma raridade neste tipo de dispositivo.

Embora chips Snapdragon 8 Elite Gen 5 estejam começando a ser lançados no mercado, sua disponibilidade ainda é limitada. Com um dispositivo Android robusto em mãos, é possível testar se o hardware atual é capaz de rodar jogos que exigem bom desempenho.

O APK do GameNative pode ser encontrado no repositório do GitHub, e a instalação é simples: basta baixar o app e fazer login na conta do Steam. Assim, a biblioteca completa fica disponível. A interface amigável permite selecionar os títulos “Compatíveis”, possibilitando visualizar quais jogos funcionam bem no RedMagic Astra.

Para o teste, foram escolhidos alguns jogos AAA para verificar seu desempenho. Os escolhidos foram Cyberpunk 2077, Clair Obscur: Expedition 33 e Resident Evil 3, todos representativos de como diversos títulos podem se comportar no hardware atual.

Início travado

Após instalar Cyberpunk 2077, o GameNative automaticamente selecionou as melhores configurações e começou a sincronizar os dados da Steam Cloud, o que demorou um pouco devido à quantidade de arquivos de salvamento. No entanto, ao tentar iniciar o jogo, ele travou. Após ajustar drivers gráficos e versões do Proton, o jogo finalmente carregou. No entanto, mesmo com as configurações no mínimo, ele continuou a travar em áreas urbanas densas.

Desempenho jogável

Em contraste, Resident Evil 3 apresentou uma experiência mais fluida ao rodar a 720p. Com um desempenho bem adaptável, foi possível jogar os primeiros segmentos do título sem problemas. O RE Engine, utilizado pela Capcom, se adapta bem a dispositivos com especificações mais baixas, especialmente em jogos menores como Resident Evil 3.

Durante os testes, o jogo manteve uma taxa de quadros entre 40 e 60 FPS na maior parte da introdução, mas em cenas mais complexas, com muitos efeitos visuais, caiu para cerca de 27 FPS. Apesar de não ideal, essa taxa ainda é jogável na maioria das situações, sem grandes compromissos visuais.

Com Resident Evil 3 funcionando bem, o próximo desafio foi Clair Obscur: Expedition 33. Este título da Unreal Engine 5 apresentou problemas na qualidade de imagem, com texturas falhando. Era evidente que a complexidade do motor gráfico impactava diretamente a performance.

Configurações fragmentadas

Compreender por que títulos individuais apresentam desempenhos tão diferentes exige um olhar sobre suas engines. O RED Engine da CD Projekt Red, por exemplo, é mais flexível em dispositivos como Steam Deck e Nintendo Switch 2, mas no RedMagic Astra, a qualidade da imagem não chegou a essas métricas.

Por outro lado, a Unreal Engine 5 possui um sistema mais complexo, e falhas na camada de tradução podem levar a problemas na apresentação do jogo, como visto em Clair Obscur. O suporte depende muito de drivers gráficos desenvolvidos pela comunidade, e isso pode comprometê-los em títulos que demandam pipelines gráficos complexos.

Embora haja muitos jogos que não exigem tanto, como Slay the Spire e Hollow Knight: Silksong, que funcionam bem com o FEX e aplicativos como o GameNative, a expectativa é saber como o FEX lidará com experiências gráficas mais exigentes, levando em conta o contexto atual.

Qual é o futuro do FEX?

O FEX é um projeto em andamento e não se esperam grandes avanços imediatos, especialmente no que diz respeito ao suporte a jogos mainstream. As chips da Qualcomm foram projetados para rodar aplicativos móveis e não consideram suportar instruções Vulkan em desktop.

Se a Qualcomm quiser aproveitar o trabalho do time do FEX, seus chips precisam oferecer suporte semelhante ao dos drivers de desktop, algo improvável no momento. Portanto, os drivers desenvolvidos pela comunidade podem melhorar a experiência, mas ainda há um longo caminho pela frente até se tornar uma solução viável para um grande público.

Por enquanto, o tablet ainda terá que ser usado como um leitor de quadrinhos bem equipado, enquanto a parte do software evolui e torna-se mais estável.

Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

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