web counter Três horas com 007: FIRST LIGHT mostram que o jogo é forte candidato a jogo do ano - e talvez o melhor Bond até agora! - Super Select
Home » Três horas com 007: FIRST LIGHT mostram que o jogo é forte candidato a jogo do ano – e talvez o melhor Bond até agora!
NINTENDO

Três horas com 007: FIRST LIGHT mostram que o jogo é forte candidato a jogo do ano – e talvez o melhor Bond até agora!

James Bond não é normalmente descrito como um camaleão. Esse superespião, em suas histórias, raramente se disfarça e frequentemente usa nomes falsos e histórias de fachada de forma casual. Porém, na realidade, o personagem é muito mais mutável. Nesse contexto, Bond apresenta um aspecto de camaleão, tendo em sua história personagens que vão desde o exagerado e quase paródico até o sombrio e assassino.

Esses exemplos provavelmente remetem às produções cinematográficas, mas vão além: há o Bond original de Ian Fleming, que era um amante de bebidas e mulheres, a versão curiosa do jovem Bond nas obras de Charlie Higson, e a musa romântica, distante mas íntima, da série The Moneypenny Diaries, de Samantha Weinberg. Sem contar o irritante James Bond Jr. E, é claro, os jogos eletrônicos.

Entre as diversas ofertas, Shaken but Not Stirred, de 1982, se assemelhava aos romances de Fleming em uma aventura de texto. Títulos de James Bond Jr., de 1992, reimaginavam o espião em uma plataforma bem simples. The Duel apresentou uma plataforma um pouco melhor, permitindo o uso de armas. No final dos anos 90, surgiram dois grandes jogos: um título menos conhecido, mas excelente, para Game Boy, que lembrava os clássicos Metal Gear em 2D, e, claro, GoldenEye para o N64. GoldenEye é reconhecido como o melhor jogo de James Bond, mas não o melhor jogo que apresenta o personagem.

GoldenEye é indiscutivelmente brilhante e capta a essência de Bond, sendo criado com amor pelo personagem e pela série. Entretanto, as limitações técnicas da época significaram que o jogo se baseava na ação intensa ao estilo de DOOM ou Virtua Cop, o que não é exatamente uma característica marcante de Bond.

Essa sensação é acompanhada por uma trilha sonora memorável e desvios ocasionais, como toques de espionagem (por exemplo, instalar escutas), recriações cinematográficas (como laserizando portas), stealth (matando inimigos antes que possam acionar alarmes) e bravura (protegendo Natalya) e outros detalhes. Contudo, a essência do jogo girava em torno de eliminar centenas de inimigos, apesar de Bond não ser exatamente conhecido por fazer isso de forma indiscriminada.

No decorrer dos anos, vários jogos tentaram preencher essa lacuna, combinando elementos cinematográficos e não-violentos das aventuras de Bond com uma jogabilidade mais competente. Muitos desses jogos conseguiram capturar melhor a essência de James Bond, mas nenhum alcançou a qualidade de GoldenEye. No entanto, 007 First Light pode mudar isso.

A maneira mais simples de descrever First Light é compará-lo a uma mistura de ação dirigida ao estilo de Uncharted com zonas abertas semelhantes a Hitman. Isso já soa atraente, certo? Contudo, essa descrição não faz justiça à experiência completa.

A desenvolvedora IO Interactive define o jogo como tendo uma estrutura dividida. O que eles chamam de jogabilidade “guiada” consiste em sequências de ação lineares que levam o jogador de um ponto A a um ponto B com controle rigoroso. Já a jogabilidade “central” oferece caminhos mais abertos, que podem ser explorados de forma mais livre.

“A maneira mais simples de descrever First Light é compará-lo a uma mistura de ação dirigida ao estilo de Uncharted com zonas abertas semelhantes a Hitman.”

O jogador pode optar por um estilo furtivo, se movendo de cobertura em cobertura ou se escondendo em locais estratégicos. Também é possível contornar a área de forma discreta, evitando os guardas. Ou, se preferir, o jogador pode optar por abrir fogo. A escolha é sua.

Uma apresentação prática de cerca de três horas do jogo mostrou isso claramente. A introdução do jogo revela um Bond solene e silencioso a bordo de um helicóptero dos Fuzileiros Reais em uma missão. Nesse momento, Bond não é o comandante experiente que todos conhecem, mas um recruta. A missão rapidamente sai do controle, como em uma típica sequência introdutória de Bond, resultando em sua solidão. Em determinado momento, ele ouve que tem “menos de 1% de chance de sucesso” e, claro, decide seguir em frente.

A primeira fase apresenta um pequeno nível, anterior ao tutorial, que dá uma mostra de ambos os estilos de jogo. O jogo muda de forma fluida entre sequências guiadas e áreas onde há liberdade de ação. É uma estrutura simples que, no final, leva o jogador a um ponto comum para a próxima grande sequência obrigatória. Mesmo na introdução, é surpreendente perceber quantos caminhos e opções estão disponíveis.

First Light apresenta zonas abertas semelhantes a Hitman.
First Light apresenta zonas abertas semelhantes a Hitman.

Finalmente, uma frase irônica faz Bond colidir com a sequência de título já lançada, levando ao verdadeiro tutorial do jogo. Bond se encontra em treinamento em uma base do exército britânico em Malta, juntamente com outros novos Agentes 00 sendo preparados. Esse desafio é um microcosmos do jogo, sendo um nível compacto, mas repleto de diversas rotas para capturar uma bandeira, e como isso é feito fica a critério do jogador.

First Light é essencialmente sobre diferentes “estados de jogo”, que são mais enfatizados nas transições entre combate corpo a corpo e tiroteio. Como agente da MI6, Bond é um dos bons, e não pode simplesmente sair atirando indiscriminadamente. Se um inimigo o vê e fica hostil, há uma transição fluida de exploração furtiva para combate corpo a corpo. Essas batalhas lembram o combate rítmico e dinâmico dos jogos Batman: Arkham.

Isso é especialmente satisfatório e possui um toque Bondiano, focando na interação brutal e no uso do ambiente – arremessar os inimigos contra paredes ou usar objetos do cenário como armas. Às vezes, Bond pode se ver lutando em um confronto direto, mas é crucial saber quando voltar para um estado furtivo, já que o jogo indicará que a situação foi “Contida”.

“First Light é essencialmente sobre diferentes ‘estados de jogo’, mais enfatizados nas transições entre combate corpo a corpo e tiroteio.”

Quando um inimigo saca uma arma, o jogo muda: a Licença para Matar de Bond é ativada. Essa é uma aplicação interessante da terminologia e iconografia de Bond, além de um design de jogo inteligente, que distingue os diferentes modos de jogabilidade.

O jogador pode continuar em combate enquanto tenta desviar do fogo inimigo, mas nesse momento, é possível puxar a arma e partir para um tiroteio ágil e satisfatório. Durante a demonstração, Bond começou apenas com uma pistola padrão, ficando a cargo do jogador encontrar armas maiores e melhores no ambiente ou de inimigos abatidos.

Embora 007 First Light compartilhe muitos elementos e sistemas com Hitman, a sensação geral do jogo é bastante distinta. O que surpreende é como IO conseguiu fazer o Agente 007 parecer diferente do Agente 47, mesmo compartilhando muito atrás das câmeras.

First Light ebbs and flows through different gameplay styles.
Bond é ágil e dinâmico, enquanto 47 é metódico e rígido.

Bond é ágil e fluido, enquanto 47 é metódico e rígido. Enfrentar um tiroteio em Hitman é estressante porque o controle e a sensação do jogo não são feitos para múltiplos inimigos. Já em First Light, a jogabilidade se adapta para proporcionar essa dinâmica. Em Hitman, ser descoberto leva a um colapso em cadeia que transforma o nível em um campo de guerra, enquanto em First Light, mesmo que a situação se torne caótica, a área logo “reseta” para um novo estado.

Os vários modos de jogabilidade são claros, mas as transições entre eles são suaves. Habilidades são transferíveis entre os modos também. Os gadgets de Bond, por exemplo, podem ser usados para criar distrações em modo furtivo ou para abrir novos caminhos durante a exploração. No combate, um rápido disparo do laser do relógio pode cegar um inimigo, oferecendo um tempo precioso para se proteger ou recarregar.

“O que surpreende é como IO conseguiu fazer o Agente 007 parecer diferente do Agente 47, mesmo compartilhando muito detrás das câmeras.”

Há uma gama de gadgets multifuncionais que promovem a diversão durante o jogo, permitindo armadilhas que incapacitam inimigos ou causam caos. A expectativa é que novos gadgets sejam apresentados ao longo do jogo. Em suma, a interação entre furtividade, combate corpo a corpo, tiroteio e gadgets se mostra bem balanceada.

A terceira parte da demonstração ocorre em Londres. Um breve e spoiler-free guia do nível exemplifica a jogabilidade. O nível começa com uma exploração narrativa de um ambiente revelador. Um assassino tenta matar Bond em uma sequência de ação emocionante, onde ele deve alcançar o atirador enquanto utiliza cobertura e gadgets.

Logo, Bond se vê em uma festa de alta sociedade. O primeiro objetivo é obter um convite para a festa em uma zona de mundo aberto semelhante a Hitman. Pode-se encontrá-lo jogado em algum lugar ou distraindo e roubando de um convidado. Depois de entrar na festa, há várias camadas de segurança que exigem raciocínio para driblar os guardas.

First Light mescla sequências de ação lineares.
First Light mescla sequências de ação lineares.

É possível roubar passes de acesso, ou fingir ser alguém que não se é, obtendo informações valiosas ao ouvir ou conquistar outros convidados. Nesses cenários, a transição para um estado de combate é impossível – Bond não pode sair batendo em pessoas em uma festa lotada, o que o diferencia do caos desenfreado de Hitman.

Eventualmente, a missão leva Bond aos escritórios de segurança do evento. Aqui, há opções para escolher entre furtividade, combate corpo a corpo e até mesmo a licença para matar. A furtividade pode envolver se esgueirar, ou usar um recurso limitado da ‘Instinct’ de Bond para agir como se estivesse ali, permitindo liberdade à frente de vários guardas, a menos que um ‘Enforcer’ mais experiente o reconheça – uma mecânica que foi claramente inspirada em Hitman.

Esta parte culmina em uma interessante batalha que enfoca os gadgets, lembrando os melhores confrontos dos jogos da série Deus Ex. Após isso, a narrativa torna-se mais cinematográfica, com diálogos de múltipla escolha e um combate em grande escala, onde inimigos armados invadem o local.

“Assim como na jogabilidade ambiental de Hitman, há grande potencial para se divertir com os gadgets – acionando armadilhas para incapacitar inimigos ou causando caos divertido.”

Ainda nessa fase, a licença para matar está sempre ativada, e os inimigos têm plena consciência da presença de Bond, estando determinados a eliminá-lo. No entanto, não é necessário se esconder como em Gears of War. Se preferir, o jogador pode usar o ambiente e gadgets para desabilitar os atacantes, ou tentar eliminá-los um a um à medida que avança. Nesses “núcleos” de ação, dá para notar como IOI planeja manter First Light atualizado com missões desafiadoras e similares, garantindo que o jogo continue relevante mesmo após completar a história.

Por fim, o nível se encaminha para um clímax que envolve um vídeo inesperado e uma perseguição de carro pelas ruas de Londres, que, evidentemente, é linear. Para ser claro, tudo isso faz parte de uma única missão que transita entre diferentes estados e estilos de jogabilidade que First Light oferece. O resultado é simplesmente impressionante.

Um aspecto que realmente se destaca é a interpretação de James Bond. O protagonista traz uma energia única que se alinha perfeitamente ao ritmo do jogo. A versão do personagem, vivida por Patrick Gibson, mente aos integrantes da série, mas traz uma interpretação própria com a mistura ideal de frieza e autoconfiança para brilhar no papel.

É notável como o gosto de Bond por piadas sarcásticas se encaixa bem em um personagem de jogo de ação em terceira pessoa, que frequentemente fala consigo mesmo para preencher silêncios. Várias das tiradas durante essas três horas foram hilárias, sem que a interpretação de Gibson caísse na caricatura.

Esse preview é um pouco mais longo do que o habitual. No longo tempo escrevendo sobre jogos, normalmente uma narrativa se estende por um único motivo: quando algo promete ser realmente ruim ou quando é algo realmente especial. Após três horas de jogabilidade, fica claro que First Light tem potencial para ser isso. A expectativa é alta para o lançamento no próximo mês.

#007FirstLight #JamesBond #Jogos #Aventura #Gameplay #Gadgets #Ação [

Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

Adicionar comentário

Clique aqui para postar um comentário