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Conflito comercial em andamento deixa TSMC e Taiwan em situação delicada; preocupações aumentam sobre acordos dos EUA afetando a proteção do silício do país

Taiwan e os Estados Unidos firmaram um acordo comercial significativo no dia 15 de janeiro, no qual Taiwan comprometeu um total de 500 bilhões de dólares para investimentos na indústria de semiconductores dos EUA. Em troca, os EUA reduziram a tarifa sobre produtos taiwaneses de 20% para 15%, além de permitirem exportações limitadas isentas de tarifas para empresas de chips que investem em solo americano, entre outros benefícios.

Embora o acordo já tenha sido assinado, ainda aguarda a ratificação do Yuan Executivo de Taiwan. O investimento de 500 bilhões de dólares será dividido igualmente entre 250 bilhões para investimentos privados e 250 bilhões em linhas de crédito do governo taiwanês para fabricantes de chips que desejam investir nos Estados Unidos.

Embora os documentos não mencionem especificamente, muito deste intercâmbio envolve a TSMC, que produz cerca de 90% dos chips avançados do mundo e quase todos os chips relevantes de IA e smartphone. Essa empresa, e consequentemente seu país, é a única capaz de fabricar chips de alto desempenho, especialmente os que utilizam transistores de 2 nm.

A geopolítica nesse contexto é desafiadora. A China, que aspira a integrar Taiwan, é um fator importante, mas as empresas norte-americanas representam 75% da receita da TSMC. Por esse motivo, a situação é frequentemente chamada de “escudo de silício de Taiwan”, e muitos acreditam que essa é a razão pela qual a China ainda não tomou controle da ilha.

A necessidade dos EUA de diversificar sua dependência de fornecedores externos para a fabricação de chips é evidente. Muitos países estão construindo novas fábricas fora de Taiwan, especialmente após a crise da COVID-19, que evidenciou a fragilidade das cadeias globais de suprimento.

Entretanto, estabelecer fábricas é um processo que consome muito tempo e recursos financeiros. A instalação da TSMC no Arizona custará cerca de 55 bilhões de dólares por unidade, enquanto a fábrica da Samsung no Texas ultrapassará 40 bilhões de dólares, e o projeto da Rapidus no Japão está avaliado em mais de 30 bilhões. Esses valores são significativamente mais altos do que os custos em Taiwan e na Coreia do Sul, levando vários anos para que uma única fábrica esteja totalmente operacional.

Atualmente, apenas algumas localidades ao redor do mundo estão ativamente fabricando chips de classe inferior a 5 nm, incluindo TSMC no Arizona e Intel na Irlanda. Com a crescente demanda gerada pela explosão da IA, a TSMC se tornou um gigante avaliado em cerca de 1,7 trilhões de dólares. O acordo comercial é visto como uma oportunidade para ambas as nações, podendo fortalecer o escudo de silício, mas traz importantes riscos.

Um dos principais pontos de preocupação é que a rápida expansão nos EUA exige mão de obra qualificada, o que pode resultar em uma “fuga de cérebros” da TSMC. O aumento de trabalhadores taiwaneses em solo americano é uma realidade, com 137 mil cidadãos taiwaneses trabalhando nos Estados Unidos, em grande parte devido à expansão da TSMC.

Representantes da TSMC e do governo de Taiwan tentaram acalmar os temores sobre a fuga de cérebros, afirmando que a pesquisa e desenvolvimento mais avançados permanecerão na sede. Entretanto, há pressão do governo dos EUA para produzir chips de alta qualidade em seu território, com incentivos sendo oferecidos para atrair recursos, desde terrenos a programas de vistos.

Além disso, o custo da produção de chips nos EUA é bem superior, o que pode resultar em preços elevados para produtos fabricados lá. Isso pode impactar as margens de lucro da TSMC, obrigando grandes empresas como Nvidia e Apple a arcar com preços mais altos, o que traz riscos aos investimentos.

A meta do governo dos EUA de trazer de volta 40% da produção avançada de chips foi considerada por muitos como irrealista. Recentemente, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, expressou a necessidade de esclarecer que essa fatia se refere à nova produção de chips e ressaltou a limitação das capacidades energéticas de Taiwan.

A discussão sobre o acordo ainda está longe de ser final. O Yuan Executivo de Taiwan, controlado pela oposição, criticou duramente o pacto, afirmando que foi feito sob pressão e sem consulta adequada. A principal crítica se refere ao fato de que Taiwan estaria usando seus próprios recursos para financiar investimentos nos EUA, enquanto a redução tarifária alcançada foi igual a de outros países.

A situação da TSMC e de Taiwan é complexa e repleta de desafios. Manter grandes clientes satisfeitos e garantir a preservação de sua vantagem tecnológica é um equilíbrio delicado, e o futuro desse acordo certamente será acompanhado de perto.

Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

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