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A Geração Z está resgatando a mídia física (e não se trata apenas de vinil!)

A geração que cresceu com Netflix, Spotify e YouTube se destaca como o principal público comprador de DVDs, Blu-rays, vinis e CDs no mundo!

O dado que derrubou a narrativa do colapso imediato

Durante 2023 e 2024, o mercado físico de vídeo nos EUA enfrentou uma queda de mais de 20% ao ano. Já se ouviu esse argumento antes: o streaming está acabando com o consumo de mídias físicas. Entretanto, em 2025, dados do Digital Entertainment Group (DEG), a principal associação do setor, mostraram uma redução de apenas 9%, uma queda bem menos acentuada. O segmento 4K UHD Blu-ray, por sua vez, viu um aumento de 12% nas compras em 2025, comparado a 2024, conforme informações de Amy Jo Smith, presidente do DEG.

Esse movimento de valorização das mídias físicas não se limita apenas ao vídeo. A Recording Industry Association of America (RIAA) registrou um crescimento de 1,5% nas vendas de CDs nos EUA em 2024. O vinil vem crescendo em média 18% por ano globalmente nos últimos cinco anos, segundo a Futuresource Consulting.

Quem está comprando, e por quê?

Uma pesquisa realizada pela Gumtree, que ouviu 2.000 participantes no Reino Unido, revelou que 75% da Geração Z adquiriram pelo menos um produto de mídia física no último ano. Para pessoas de 45 a 60 anos, esse índice foi de 52%; enquanto entre os de 60 a 79 anos, ficou em 35%. Os mais jovens estão comprando mais discos físicos do que os mais velhos, e essa tendência se repete em outros mercados.

Além disso, o relatório Audio Tech Lifestyles, da Futuresource Consulting, revela que 60% da Geração Z compra discos físicos. Curiosamente, cerca de 40% dos compradores de vinil nos EUA não possuem um toca-discos. O ato de comprar tem menos a ver com o consumo em si e mais com a posse, a identidade e, até mesmo, a estética: muitos criadores de conteúdo utilizam vinis como itens decorativos.

Pressionando essa nova lógica, Jared Watson, professor assistente de marketing da Universidade de Nova York, descreve o fenômeno como “consumo simbólico”: ter um disco na prateleira sinaliza um fã realmente dedicado ao artista. Uma cliente da Vidiots em Los Angeles expressou sua frustração com as múltiplas assinaturas de streaming, destacando a dificuldade em encontrar o que realmente deseja assistir.

O streaming como catalisador involuntário

Devido a diversas decisões estratégicas e a extinção de contratos, as plataformas de streaming frequentemente removem conteúdos de seus catálogos. Cada remoção reforça a necessidade percebida pelos consumidores de ter a posse física de filmes ou séries. Além disso, muitos usuários recorrem à pirataria, baixando conteúdos e criando suas próprias centrais multimídia.

O cenário global: EUA, Reino Unido e Coreia

Nos EUA, a videolocadora Vidiots, reaberta em 2023, alugou 22 mil discos no primeiro ano e 50 mil no segundo. Em janeiro de 2026, atingiu seu maior mês, com uma média de 170 filmes alugados diariamente. A Cinefile, outra locadora em Los Angeles, cresceu de 300 para cerca de 500 membros pagantes e passou a comprar todos os filmes indicados ao Oscar de 2026 com os lucros adicionais.

No Reino Unido, o relatório da Gumtree indicou que o gasto médio em mídia física chegou a £273,80 por comprador, sendo DVDs e CDs os mais populares (25% das compras), seguidos por videogames (22%) e vinil (14%). Na Coreia do Sul, um relatório da Chosun revelou um aumento significativo no colecionismo físico entre jovens de 20 a 30 anos, impulsionado por CDs de K-pop, que oferecem experiências únicas com itens como photobooks e pôsteres.

Panorama do Brasil

No Brasil, a valorização das mídias físicas se apresenta de forma distinta. O vinil ocupa uma posição de destaque, com um crescimento de 45% em 2024, gerando R$ 16 milhões somente no primeiro trimestre, segundo a Pró-Música Brasil. Em 2023, o vinil finalmente superou o CD em vendas, alcançando R$ 11 milhões contra R$ 5 milhões.

Por outro lado, tanto o Blu-ray quanto o DVD enfrentam um obstáculo não encontrado em outros países: o alto preço. Um Blu-ray importado pode custar de três a quatro vezes mais que nos EUA, resultando em um mercado de nicho, onde os compradores se organizam em fóruns para importar e trocar dicas.

As locadoras no Brasil não estão reabrindo, mas resistindo. Exemplo disso é a “Charada” na Zona Leste de São Paulo, onde uma locadora sobrevive com um vasto acervo de DVDs e fitas VHS, além de jogos e eventos culturais. Uma visita ao local revelou a lealdade dos clientes e a transformação do espaço em um centro cultural, com “relíquias” que não estão disponíveis em nenhum serviço de streaming.

No Rio de Janeiro, a Storm Vídeo, localizada em Copacabana, também se destaca por manter uma base fiel de clientes em busca de títulos clássicos de décadas passadas.

E os jogos em mídia física? A realidade nada animadora

Enquanto DVDs, Blu-rays e vinis estão ganhando força na Geração Z, o mercado de jogos em mídia física continua em queda acentuada, impulsionado pela preferência digital desta geração. Nos EUA, os gastos com jogos físicos caíram 50% desde 2021, com uma perda superior a 85% em relação ao pico de 2008. No Reino Unido, 2024 viu uma redução de 26% nas vendas físicas, com picos de até -36% em meses desfavoráveis. A Geração Z lidera essa transição, sendo 33% mais propensa a optar por jogos digitais.

Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

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