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Homem cria provedor de internet em casa para entender rede GPON e se diverte com o processo

Um entusiasta da tecnologia decidiu criar um pequeno laboratório em casa para explorar, na prática, como funciona a infraestrutura GPON utilizada por provedores de internet via fibra óptica. O objetivo não era se tornar uma operadora, mas reproduzir alguns dos princípios dos ISPs, utilizando equipamentos como OLT, ONT, splitter óptico, roteador MikroTik e gestão remota.

O resultado foi um rack compacto, desenvolvido exclusivamente para estudos, que conseguiu fornecer internet através de uma ONT por fibra. Durante os testes, a rede se mostrou eficaz. Contudo, a parte mais desafiadora não foi conectar os dispositivos, mas compreender as peculiaridades que fazem a rede GPON se diferenciar da Ethernet convencional.

Durante esse processo, surgiram algumas dificuldades, como a documentação escassa, variações no desempenho entre ONTs de diferentes marcas, questões relacionadas ao protocolo TR-069 e uma falha de MTU que só foi encontrada após análise minuciosa de pacotes com tcpdump.

### Um rack pequeno para simular uma rede de provedor

A lista de equipamentos utilizados inclui uma OLT VSOL V1600GS-R, um roteador MikroTik hEX, um conversor de mídia TP-Link MC220L, um splitter óptico 1:8, um atenuador óptico de 10 dBm, uma ONT ZTE F6201B e um Raspberry Pi R3S para monitoramento e execução de aplicações em Docker. Todos os itens foram instalados em um rack modular Mod10, impresso em 3D.

A OLT é o componente central desse projeto. Em uma rede GPON, ela se encontra do lado do provedor e gerencia a comunicação com os dispositivos ópticos dos usuários. O modelo em questão, a VSOL V1600GS-R, é compacta, possui uma porta PON, uplink de 10GE e suporte para divisão óptica de até 1:64, conforme informações da fabricante.

Na outra extremidade, a ONT recebe o sinal óptico e fornece a conexão de rede para o usuário final. No laboratório, essa rede foi utilizada apenas como um ambiente separado para testes, enquanto a rede principal permaneceu em outro rack.

### GPON não se comporta como Ethernet comum

Uma das principais dificuldades encontradas foi a escassez de documentação útil sobre o processo. Embora existam vídeos que ensinam a configurar OLTs semelhantes, muitos deles apresentam uma sequência de comandos prontos, como um passo a passo, sem esclarecer o funcionamento de cada etapa. Isso deixa lacunas significativas para quem busca um entendimento mais aprofundado.

A confusão surge, pois GPON não é simplesmente “Ethernet pela fibra”. Em uma rede Ethernet tradicional, o administrador lida com portas, VLANs, DHCP, roteamento e regras de firewall de maneira mais direta. Por outro lado, em uma rede GPON, surgem elementos adicionais como OLT, ONU, ONT, perfis de serviço, autenticação, entre outros, tornando o processo mais complexo.

### Quatro ONUs para entender as diferenças

Para obter mais informações, o entusiasta adquiriu quatro ONUs de diferentes marcas e modelos. Esses testes revelaram que os equipamentos compatíveis com GPON podem exigir configurações distintas. Alguns modelos necessitam de tratamento especial, mesmo que desempenhem a mesma função básica na rede.

Esse detalhe explica a prática comum entre provedores de optar por uma quantidade limitada de modelos de ONTs e ONUs. Ao padronizar equipamentos, a operadora reduz variáveis no suporte, consegue prever o desempenho dos dispositivos e facilita o gerenciamento remoto, além de negociar maiores lotes com fornecedores. Para o usuário final, isso pode representar uma limitação, já que trocar a ONT da operadora por um modelo de terceiros nem sempre é simples.

### TR-069 foi uma das partes mais complicadas

Outro aspecto importante do relato é o TR-069, ou CWMP. Esse protocolo é utilizado para a comunicação entre equipamentos instalados na casa dos clientes e um servidor de autoconfiguração (ACS). Na prática, ele permite que os provedores configurem, monitorem e atualizem remotamente equipamentos compatíveis.

Um dos desafios encontrados nesse laboratório foi o uso do GenieACS, uma solução aberta para gerenciamento TR-069. Embora o projeto descreva o GenieACS como uma ferramenta leve e de código aberto, o suporte ao protocolo não garante um comportamento uniforme entre os dispositivos.

### Problemas encontrados com a ONT

Um caso curioso envolveu a ONT ZTE F6201B utilizada no laboratório. Esse equipamento só conseguiu se conectar ao servidor GenieACS após a configuração de usuários e senhas fixos encontrados em um documento. Criar credenciais próprias resultava em falhas de conexão. Essa situação, embora não seja uma regra geral para o modelo, ilustra os desafios que podem surgir ao testar equipamentos de provedores.

Além disso, a mesma ONT apresentou complicações relacionadas ao MTU, que dificultavam a conexão adequada. Para solucionar isso, foi necessário capturar o tráfego com tcpdump e realizar ajustes específicos no firewall, mostrando a complexidade envolvida nesse tipo de projeto.

### Conclusões do laboratório

Em última análise, a experiência vai muito além das peças ou do tamanho do rack. Essa jornada revela a grande diferença entre “possuir os equipamentos” e “compreender a rede”. O entusiasta montou uma infraestrutura GPON funcional, mas o processo envolveu pesquisa, testes com diversos modelos de ONUs, análise detalhada de pacotes e ajustes que exigiram um conhecimento além do básico.

Essa experiência é um lembrete para profissionais de rede sobre como a fibra óptica residencial envolve muito mais do que apenas cabos. Ela abrange uma camada de provisionamento, autenticação, gerenciamento remoto e compatibilidade que raramente é visível para o usuário comum. Para os interessados em hardware e infraestrutura, o projeto também demonstra o potencial dos homelabs, que podem ir além de servidores e NAS, recriando partes do caminho que levam a internet de fibra aos clientes, mesmo em uma escala reduzida, como é o caso do rack impresso em 3D.

Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

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