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Chrome instala silenciosamente modelo de 4GB no PC sem aviso

O Google Chrome está realizando o download silencioso do Gemini Nano, um modelo de inteligência artificial com cerca de 4 GB, para o armazenamento dos usuários, sem qualquer notificação ou consentimento prévio. Essa descoberta foi feita por um pesquisador de segurança, que documentou o comportamento por meio de evidências retiradas de logs do sistema do macOS.

De acordo com as informações obtidas, o Chrome cria um arquivo chamado weights.bin no disco, que contém os dados do modelo Gemini Nano para inferência local. O download acontece automaticamente em dispositivos que atendem a certos requisitos de hardware, sem que o navegador avise o usuário sobre o que está sendo gravado. Se o usuário tentar excluir o arquivo, ele será reinstalado, a menos que se desative opções experimentais específicas ou remova o Chrome completamente.

Para comprovar essa situação, o pesquisador realizou um teste usando um novo perfil do Chrome no macOS, monitorando a atividade do sistema de arquivos através dos logs do sistema operacional, independente do navegador. O resultado mostrou que o browser criou o diretório do modelo e completou o download total de 4 GB em segundo plano durante uma navegação aparentemente ociosa, em pouco mais de 14 minutos. Os arquivos de estado interno do Chrome confirmam que o navegador avaliou a capacidade de hardware do dispositivo, decidindo de forma proativa iniciar o download.

### Violação de privacidade e custo ambiental: a conta que o usuário paga sem saber

O pesquisador vai além da análise técnica e levanta questões legais sobre a situação. Ele argumenta que o comportamento do Chrome, assim como um caso relacionado no app de desktop da Anthropic, que silenciosamente instalava integrações em múltiplos navegadores, pode violar a ePrivacy Directive da União Europeia, que regula o armazenamento de dados em dispositivos do usuário, além de não atender aos requisitos de transparência do GDPR. Embora essas afirmações ainda não tenham sido testadas judicialmente, elas revelam uma crescente preocupação sobre o ritmo acelerado de implementação de funcionalidades de IA e as exigências regulatórias na Europa.

O impacto ambiental também foi avaliado. Segundo estimativas do pesquisador, a distribuição silenciosa do arquivo para 100 milhões de dispositivos (aproximadamente 3% da base do Chrome) resultaria em transferências de 400 petabytes de dados, consumo energético de 24 GWh e emissões de 6.000 toneladas de CO2 equivalente. Se essa distribuição ocorrer em 1 bilhão de dispositivos, os números chegam a 4 exabytes, 240 GWh e 60.000 toneladas de CO2e, apenas para a entrega do arquivo, sem considerar o uso do modelo. Apesar de se poder discutir as premissas do cálculo, o cerne da questão permanece: transferir arquivos de múltiplos gigabytes para centenas de milhões de máquinas traz consigo um custo real que afeta tanto o usuário quanto o meio ambiente.

Outro ponto a ser considerado é o impacto na largura de banda. Um download de 4 GB pode não ser um problema para conexões de fibra óptica ilimitadas, mas essa realidade não condiz com a maioria dos usuários, especialmente em lugares onde conexões móveis e planos com franquia ainda são comuns. Para quem utiliza hotspot móvel ou tem um plano de dados faturado, gastar gigabytes sem notificação implica um custo direto.

### O dispositivo como plataforma de deploy, não como propriedade do usuário

O que se observa é uma tendência onde os dispositivos dos usuários são tratados como infraestrutura para a plataforma, em vez de serem considerados propriedade de quem os utiliza. Funcionalidades que favorecem o ecossistema do fornecedor são ativadas por padrão, ocultas atrás de opções experimentais ou implementadas de maneira que dificultam a remoção, uma prática conhecida como dark patterns. O caso do Chrome com o Gemini Nano e a instalação de integrações em outros browsers sem consentimento seguem esse mesmo padrão. Até o momento da publicação do relatório, a Google não havia se pronunciado publicamente sobre as descobertas feitas.

Membro da Super Select:

Marcelo Vangrey

A minha jornada como Vangrey no universo dos games começou em 1994 com um Mega Drive e o incrivel Mortal Kombat 2! Seguida pelo Super Nintendo no universo dos lendários cartuchos 16in1 com Top Gear e companhia! Em 1998, conquistou seu primeiro PLAY 1 novamente com Mortal Kombat, dessa vez o MK4, e a partir daí, continuou explorando diversas plataformas. Comprando e vendendo, já passei por: Game Boy Color, PS2, PSP, PS3, Nintendo DS, 3DS, Xbox 360, PS4, PS4 Pro, PS5, Nintendo Switch 1 e 2, e pra finalizar - o Steam Deck =)

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